terça-feira, 28 de abril de 2009


Não sei o que se passou aqueles dias. (será que já posso falar no passado?)
A viva memória esfuma-se em névoa.
Foram as chamadas horas que marcam como se fossem anos.
Como a chama da vela que brilha e me atrai quase até me queimar. Assim fizes-te tu.
“O castigo físico não magoa como o psicológico”, olho para a minha mão que dói. Na verdade não me importo porque estou contigo. Estranha imagem ou alegoria.
Acalmas-me mais que o colo de uma mãe acalma um bebé. Quero sentir o teu toque e no silêncio ouvir as tuas palavras. Os teus dedos que tilintam no meu braço.
Porque eu? Porque me escolheste tu?
Sei que o que é impossível para muitos tem uma razão para nós. Ou será que a música que oiço, por vezes ruído que dói é afinal o sintoma do inicio de uma esquizofrenia anunciada? Um doido compreende outro doido e neste entendimento mútuo criam o seu mundo paralelo. À margem de tantos ou de todos.
Conheço-O? A Ele sim… Conheci-Te à anos… Ahhh que dor, que confusão.
Chamas-me agora a Ti? É isso ou toda a condução me tem encadeado e afinal demonstrado a brutal falta de amor que sinto. O amor que tenho para dar e não tenho a quem…
Tens tentado demonstrar algo. Mas sei que também te questionas.
Deixa rolar dizem-me. Que esperança vã e cega! É uma andorinha magoada que me caiu nas mãos. De preocupação não dormi, mas pela sua beleza me deixei levar.
Fujo ou busco em mim a razão?

sábado, 25 de abril de 2009

Lá se entornou o caldo....

Desespero, dúvida, desespero...

Depois de tantos encontros o futuro, presente pregou uma partida.

Foi o desencontro. Total. Muito provavelmente fatídico.

DOI, DOI. Espero ser a única magoada porque não te quero infligir esta dor que sinto e me sufoca.

DESESPERO

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A dor física serve para colmatar a psicológica.
Os gritos internos que ninguém ouve.
O carinho para dar que ninguém quer receber.

Quero... quero.

O medo de Não. É isso!
É esse. O de querer partir e não poder por estar presa a laços que não foram quebrados.
Sei o que quero. Agora sei! Quero querar esses laços e não temer seguir o meu caminho.
Não temer decepcionar.
Sou como sou.
Aceitem.
Vou partir.

quinta-feira, 23 de abril de 2009


Quando chegas-te pensei que me viesses libertar. Enviado para me oferecer a paz de espírito tão procurada… Ainda que se sugerisse algo no ar guardei-te como uma boa recordação.
Porque voltares? Mais uma vez em socorro numa fase difícil? Sim, fizeste com que o meu dia não se destacasse pela pressão mas pelo conforto da tua companhia. Porque depois do não anunciado questionar?
Porque quando alcançada a paz voltar a aparecer e virar tudo de pernas para o ar. Porque amarrares-me de mãos e braços na partida? O que esperavas? Que não te deixasse partir quando me dizes não? Que tenha a iniciativa quando te fechas nesse teu mundo?
Depois de hoje, desta noite, não voltarei a ceder. Tenho já o que fazer a seguir. Parece que me sugaram as energias e o entusiasmo por tudo o resto se evaporou. Amarras-te a vida à qual vieste para dar sentido.
Jurei não desperdiçar oportunidades. Jurei não fechar mais portas ao sentimento. Jurei deixar o coração prevalecer sobre a razão.
Agora penso… a dor que sinto no coração é provavelmente muito superior à da razão. Que caminho seguir então? O que queres afinal? O que desejo eu afinal.
Só a forte dor física pode sarar esta ferida latejante.

domingo, 12 de abril de 2009


Nos meus pensamentos chamo por ti.

Pergunto onde estás.

Mal reconheci a tua voz ao telefone, apenas o teu trocadilho inconfundível: "saudade dos santos"

Tenho tanto para te dizer, tanta vontade desesperada de estar perto de ti que não consegui falar... Ao pronunciar o teu nome as palavras desapareceram do meu léxico na procura de um diálogo banal.

Mas tu não és desse tipo... em meias palavras percebi muito mas não consegui responder...

Mais uma vez as palavras ficaram por dizer.

Continuo de mãos e pernas atadas a esperar novo sinal...

Da próxima vez quero correr para ti e soltar as palavras e todos os sentimentos que te tenho murmurado nos meus pensamentos.

sábado, 4 de abril de 2009

Essência do desejo

Naquele dia o que mais me incomodava em ti era o cheiro... acre...forte... que tanto me repelia como atraía...Demorei a identificá-lo. Semelhante talvez ao das couves do cozido à portuguesa, pensei. Só depois recordei a visita à Igreja de São Francisco, Turim. Onde na verdade está o Santo Sudário. O cheiro era semelhante ao acre e envelhecido das igrejas, a tua imagem... semelhante àquela, à Dele.
Demorei a perceber. Só passados quatro dias, a arrumar caixotes antigos vindos de Angola lembrei o teu odor naquele dia...
Chamo-lhe essência do desejo porque quase insuportável, atractiva.
Olhava as tuas expressões patuscas, infantis por vezes... era desejo? Queria tocar-te... Acariciar-te... Lutei até ao fim resistindo a tocar naquela madeixa, aquele caracol que te pendia sobre o rosto...
Como eu, lutavas pondo e tirando os óculos, ofuscada... talvez. Queria ver-te, observar e no entanto obrigada pelo rigor profissional a tirar notas... Lutei três dias até ceder.
Cedi e mesmo assim os meus olhos resistiam. Encontrei-te finalmente. O tocar inocente e esporádico de dedos, o aproximar lado a lado...
Perdi-me no tempo, nos ponteiros do relógio, nas questões e jogos de palavras. No teu encanto ou no Dele?
Cedi por necessidade, por ímpeto e capricho. No regrets. Resta-me tranquilamente esperar o sinal...